Por Roberta Emanuela
Despertador tocando, outro dia começando... Uma rotina incrível, porém repleta de pequenas particularidades que tornam meus dias únicos.
Sem dúvida nenhuma, hoje acordei extremamente intrigada e chateada com minha situação. Estive muito pensativa, refletindo imensamente sobre algo que há tanto tempo me incomoda ... Não sei se o culpado foi o jeans recém-lavado ou os exageros do final de semana; mas, simplesmente experimentei aquele gostinho de infância dolorida que ainda me acompanha. Não convém dizer que me sinto uma criança, contudo, que ainda sinto os dissabores que tive naquela época.
Sempre fui diferente dos demais. Enquanto a maioria das meninas eram mirradinhas e pequeninas, lá estava eu: totalmente fora dos padrões considerados normais para a fase em que estávamos; eu era a gordinha, a compridona, o balãozinho, o patinho feio, enfim.
Sofri muito com todas as piadinhas maldosas dos colegas, com a crueldade com que lançavam as duras flechadas que eu não podia suportar... Tudo que me lembrasse excesso era abominável, condenável, feio, fora do normal. Eu queria ser melhor, contudo, meu corpo e minha mente não colaboravam, nem sequer permitiam.
Apesar da pouca idade e da falta de incentivo, sabia que eu não me amava como era, nem tampouco queria ser assim para sempre. Com a paciência e perseverança, que fui adquirindo com o tempo, consegui vencer muitas barreiras, principalmente, aquelas que eu mesma me impunha. Eu desconhecia o amor-próprio, o fato de tentar me aceitar, primeiramente, para depois promover as mudanças. Foram os sábios livros de auto-conhecimento, auto-ajuda, psicologia e toda essa gama de gêneros auxiliares na compreensão de nossas vidas que me fizeram parar, refletir e agir. Isso levou muito tempo, mas valeu a pena.
Hoje, poucas pessoas sabem dos problemas que enfrentei devido a esse detalhe referente ao meu “crescimento”. Muitas até duvidam que algum dia eu tenha tido uma imagem diferente da que ostento atualmente.
Bem mais por dentro do que por fora, houveram incontáveis modificações no meu ser. O modo como me sinto hoje é expressivamente diferente de antigamente! Entretanto, não trocaria nenhuma parte do meu aprendizado até aqui. Não me envergonho por aquela imagem, todavia, lamento pelos momentos de auto-condenação e tristeza que enfrentei. Poderia ter sido menos doloroso, mais suave, mais fácil. Por isso, cada vez que me deparo com alguém que não está de bem consigo mesmo, conto um pouco do que passei para tentar evitar que lhe ocorra o mesmo sofrimento e dor que outrora atravessei.
Estou nesse mundo para torná-lo mais belo e colorido, com todas as nuances que eu possa lhe dar. Não deixarei que nenhum de meus dias passe em branco ou fique na penumbra dos dias sombrios, sem calor e emoção. Cada amanhecer será um arco-íris que despertará toda minha força positiva e os infindos sentimentos bons que trago em meu âmago. O meu sorriso fácil e entusiasmado será a marca que deixarei registrada em cada coração: hoje, amanhã... Até o dia em que eu viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário