Por Roberta Emanuela
Pequenos, adultos, estudantes, professores; enfim, a comunidade em geral está se preparando para comemorar nesta semana a Independência do Brasil. Uma data tão esperada, uma comemoração tão evocada. São festejos esplendorosos, imbuídos de muito verde e amarelo, azul e branco, preparados com extremo carinho e dedicação por todos aqueles que se empenham para verem inúmeras ruas adornadas com as cores da bandeira e os belíssimos desfiles para tal fim preparados.
As crianças se organizam, preparam os passos da “marcha” e roupas características, muito alegres e criativas, com certeza. No entanto, torna-se imprescindível perguntar: será que temos mesmo muito que comemorar? Sim, o passado é cheio de glórias e vitórias, mas... E o presente? O que está havendo com o nosso país? Devemos celebrar a pobreza, a miséria, a precariedade na saúde e na segurança dos cidadãos? Comemorar nossa sociedade tão desigual e nossos políticos enfadonhos?
Em ano de decisões no âmbito político nos perguntamos se as solenidades que realizamos em torno do 7 de setembro e as suas reais causas condizem realmente com a nossa realidade enquanto Pátria. Imagina-se que o ideal de Pátria pelo qual nossos antepassados lutaram referia-se a um lugar onde os homens tivessem, além do poder de escolha, a liberdade de expressão e representantes justos e dignos de receberem atribuições tão importantes como a de governar um povo.
O povo brasileiro ora tão judiado e sofrido, ainda acalenta sonhos, utopias; a esperança de ver nos olhos de seus filhos o amor pela sua terra e sua bandeira, a satisfação de viver em um país tão rico... Rico de cultura, de miscigenações entre os povos, de pessoas criativas e empenhadas pela construção de um presente e futuro mais honrados.
E o que fazem os nossos políticos? Por que deixam o povo na ilusão de um amanhã melhor se não o farão? Espalha-se pelo país todo uma campanha em prol do voto nulo. A população nega-se a votar nos candidatos que lhe são oferecidos. À primeira vista, este movimento pode parecer tolo e sem consistência, contudo, muitas pessoas pensam em abrir mão de seu poder de decisão exatamente pela falta de opções, pois, não os julgam capazes de transformar nossa atual situação. É alarmante, porém, trata-se da luta de um povo em favor de seu crescimento e da recuperação de sua decência.
Ponderemos todos sobre o quê verdadeiramente devemos festejar. Pensemos mais ainda no que deve ser feito para que nossa Pátria seja realmente amada. Entendamos: nós somos a geração que pode modificar o que não achamos correto, não devemos esperar que outros o façam. Precisamos educar nossa própria sociedade para a mudança construtiva, para a luta, para a firmeza de decisão e a escolha de políticos que realmente batalhem e trabalhem a nosso favor. A nossa dignidade como cidadãos brasileiros está acima de todo e qualquer escrúpulo político que possa abalar esse sentimento. Nós devemos incitar a mudança e fazer todo o possível para que ela realmente se concretize.
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