Por Roberta Emanuela
Era domingo à tarde, o sol já se despedia.
O final de semana havia sido agitado, mas o que viria a acontecer depois ficaria marcado em nossas vidas.
O telefone tocou. Chamaram a mim e a minha família para que viéssemos dar o último adeus a uma pessoa que nos fora tão querida.
Seu nome era Martim, guerreiro e determinado como Martin Lutero, que havia sido um dos homens mais fortes e lutadores da Igreja Luterana, a qual ele havia freqüentado desde a sua infância.
Um homem bom, amigo e preocupado com todos que estavam a sua volta. Contudo, ele tinha dois grandes vícios: a bebida e o cigarro. Os dois foram lhe tragando aos poucos, sem que ele percebesse e, apesar desses problemas incontroláveis, nunca havia tido algum sinal muito grave que pudesse lhe causar medo. Mas, por volta de quarenta dias atrás, ele havia sido submetido a uma série de exames e detectou-se um câncer galopante, que o consumiria muito mais rápido do que todos imaginávamos.
Foi ali, naquela cama de hospital que o vimos com vida pela última vez.
O clima estava muito tenso, triste. Sua esposa e filhas choravam. A dor era muito grande. Elas ainda não podiam acreditar que isto estava realmente acontecendo.
Aquele homem tão feliz e brincalhão encontrava-se agora naquela cama, magro, fraco, indefeso e sem forças para sequer abrir os olhos. Partia-nos o coração vê-lo assim e começamos a rezar muito, com fervor, para que Deus o chamasse e ele tivesse, enfim, o seu descanso. Não havia mais o que fazer.
De repente, sua respiração tornou-se muito lenta e extremamente pausada. Havia longos espaços em que ele parava e achávamos que seria o fim. Suas filhas o chamaram... Não queriam que ele fosse. A esposa beijou-lhe o rosto, tentando transmitir-lhe um pouco de calor, mas ele estava gélido.
Mais uma vez, ouviu-se aquela respiração ofegante e todos se desesperaram. A cena se repetiu por umas quatro ou cinco vezes até que seu coração parou de bater.
Choro, muita tristeza... e dor foi o que sentimos, mas sabíamos que seria melhor para ele. Sua missão entre nós estava cumprida.
Sua alegria ao cantar e tocar sua gaita de boca, sua devoção a Deus e sua fé são doces lembranças em nossas mentes.
Foi, sem dúvida, uma grande perda para nós.
Lembro dele constantemente: sinto falta de seu sorriso, seu carinho, a maneira simples e espontânea de viver a vida.
A saudade é uma dor suave e persistente que hesita em ir embora.
Não sei se nos veremos novamente, mas acredito que hoje ele é mais uma estrela brilhante que embeleza as noites... É tão bom ver as estrelas. Saber que brilham sempre com a mesma intensidade e que dificilmente deixarão de brilhar. Assim deveríamos ser nós, criaturas que às vezes nos desviamos das reais maravilhas de viver. Vivemos para fazer o bem, semear o amor e para crescermos juntos enquanto seres iluminados que somos.
Quem dera ver todas as pessoas em paz, sem guerras e temores, somente desfrutando a vida e aprendendo com tudo o que ela possa nos oferecer!
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